









Recado de uma
Madrinha especial
Existe uma ideia de amor que a gente cresce acreditando: contos de fadas, cavaleiros que percorrem o mundo para salvar suas princesas, aquelas cenas de filmes, com direito a música. Mas quem convive com a Gabi e o Kahl descobre que o amor de verdade mora nos detalhes. Mora na Gabi, rindo de todas as piadas dele, sejam elas boas ou ruins, não importa muito. Mora nas brincadeiras que só os dois entendem, como o fato de serem as únicas pessoas no mundo convencidas de que ela imita o Bob Esponja muito bem. Mora até no nome que dividem, Gabriela e Gabriel, como se o acaso já soubesse, antes mesmo deles, que os dois se encontrariam. O amor, como diria Carla Madeira, não passa de um gostar de muitos verbos ao mesmo tempo. E eles são exatamente isso: gostam de rir, de viajar, de estar juntos, de crescer e de se descobrir, todos os dias.
Um certo milagre acontece nesses encontros, sejam eles breves ou longínquos. Para a Gabi e o Kahl, são quase dez anos de aprendizado mútuo. Nesse tempo, os dois descobriram o que é ser parceiro: atravessar fases difíceis, daquelas que testam qualquer relação, e continuar ali, um sendo a parte que falta do outro. Amor não é só um dia bonito. É atravessar os altos e baixos lado a lado e continuar escolhendo. É curtir uma festa até seis da manhã e, no fim de semana seguinte, querer só o sofá com direito a uma degustação dos melhores hambúrgueres da cidade. É o sol escaldante do deck em Angra ao friozinho aconchegante na serra, esse lugar especial que agora vai receber o casamento. É nesse companheirismo construído dia após dia que a Gabi e o Kahl chegaram até aqui, transformando tudo isso em um compromisso de alma.
Talvez a gente tenha esquecido o tamanho do que é isso, dessa aliança que vai para além da parceria e do companheirismo, que fala de lealdade, de carinho, de cuidado e de admiração. Casar não é só dizer sim para um dia. É sustentá-lo no "para sempre". Em um mundo que aprendeu a desistir rápido, fazer essa escolha é quase um ato de coragem. Não é bobagem nenhuma chamar isso de sagrado, no sentido antigo da palavra. O matrimônio é a verdadeira consumação dessa escolha diária: amar cada parte do parceiro, as luzes e as sombras, as renúncias e as promessas, as decisões pequenininhas e também aquelas que viram o mundo de cabeça pra baixo. Que a Gabi e o Kahl escolham se casar hoje, amanhã e em todos os dias que vierem.
Bruna Borelli